O que faz uma enfermeira no primeiro dia de trabalho?

Quando estava no final da faculdade de enfermagem sempre me fazia essa pergunta, pois afinal, fazemos estágio como técnico de enfermagem, mas saímos da faculdade sem nenhuma noção do trabalho da enfermeira. Falta grave no ensino, não acham?

Tive uma professora que nos ditou um texto dizendo: a academia só ensina a técnica, não ensina o aluno a ser crítico e a liderar… mas apenas ditava o texto, mas nem comentou como liderar… assim é muito fácil dar aula! Dita um assunto que nem domina!
Mas como eu, ainda não era crítica, nem percebi que era enrolada por um monte de professoras sem preparo. E minha dúvida continuava.
Perguntava para minhas colegas, e elas diziam: “também não sei, temos que assumir o setor” Socorro! Como se assume um setor?
Perguntei para minha tia, que é técnica em enfermagem, e ela me disse: “não se preocupe… você irá resolver problemas. Os técnicos virão te pedir tudo que precisa”. Pensei: “hum… agora me sinto mais tranqüila… irei resolver problemas que nem imagino do que se tratam…
O semestre foi terminando, estava muito preocupada com estágios finais e o trabalho de conclusão de curso, e deixei minha dúvida pra lá.
Após minha formatura, comecei a distribuir currículos pelos hospitais, e o maior hospital da cidade me chama para fazer entrevista, após passar na prova teórica. Legal… adivinha o que a entrevistadora me perguntou?
– O que você fará na sua primeira semana de trabalho?
Quase respondi: sempre quis saber disso. Mas não podia, estava em jogo um emprego bacana. Tentei disfarçar, disse que me apresentaria, pegaria rotinas, perguntaria problemas aos técnicos e mais umas enrolações.

– Certo. Imagine que você já pegou rotina, já conhece tudo. O que você faria?
Nossa. Me pegou. Nem sei o que respondi. Só tinha certeza que não passaria na entrevista.
Após um mês comecei a trabalhar em outro hospital, e com minha vivência descobri a resposta: é cuidar do paciente. De todos os pacientes. Curto e simples. Mas por que ninguém me disse?
No meu primeiro dia de trabalho acompanhei outra enfermeira, que passou visita comigo, avaliando todos os pacientes do setor. È a primeira coisa que se faz no início do plantão. A
ssim que os pr
oblemas vão surgindo. São coisas que vemos que ninguém da equipe viu, como um equipo que não foi trocado.
 São problemas pessoais que precisamos resolver entre a família, acompanhantes e visitas. São broncas por levar alimentos para dentro do quarto. É ver a evolução do paciente, avaliar seu estado geral.
Com os técnicos, geralmente eles ficam testando seu conhecimento, principalmente se você está em início de carreira e tem cara de novinha. Mas com os dias isso tende a passar, principalmente se você for simpática com eles. Se alguém não foi com a sua cara, se prepare, irá aparecer problema atrás de problema, assunto que tratarei em um próximo texto.
Assumir o setor significa deixar tudo em ordem para  bem do paciente. È manter o material necessário para a equipe utilizar. É zelar pela organização. È garantir o bem estar do paciente. Nada muito alémdisso.
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Parabéns enfermeiros!

12 de maio, nosso dia!
Parabéns a todos nós que aguentamos baixos salários, chefias mal amadas, pacientes sofrendo entre muitas coisas mais e ainda amamos o que fazemos!
Um brinde a nós!

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Anel Vaginal

Poucas mulheres conhecem o método de contracepção usado no interior da vagina, o anel vaginal. Ele libera diariamente uma quantidade de hormônio (sintéticos da progesterona e estrogênio) que evita a gravidez, igualmente como os anticoncepcionais por via oral, mas tem como vantagem ter que ser trocado apenas uma vez por mês. Também o considero melhor que os adesivos por não aparecer em local nenhum. Custa em média R$ 50,0o, e só conheço uma marca disponível no Brasil.

Eu já o uso a algum tempo, no início foi estranho, parecia que iria cair o tempo todo, enquanto corria ou para ir ao banheiro, mas após uma semana vc já esquece que o está usando. Caso ele saia da vagina, deve ser lavado com água morna ou fria e novamente colocado. Também não é notado durante a relação sexual, só é possível apalpa-lo com o dedo.

Deve ser inserido na vagina no primeiro dia da menstruação e  retirado a cada 21 dias; deve-se observar uma pausa de 7 dias e inserir um novo no final desse prazo. Ele também pode ser usado sem interrupção, como feito nos anticoncepcionais orais, nesse caso, deve ser trocado a cada 21 dias e a menstruação não virá.

É uma ótima opção para quem “esquece ” de tomar o comprimido, eu particularmente prefiro gastar um pouco mais porém ter certeza que não ficarei um dia sem hormônio… minha vida agitada e sem rotina me fazia esquecer vários dias de tomar o via oral. Como vantagem também, meu gineco disse que ele auxilia a matar a cândida, grande inimiga minha e de muitas mulheres.

Em contrapartida, ele não oferece menos riscos a saúde da mulher, seus malefícios e efeitos colaterais são igualzinhos ao anticoncepcionais tradicionais, incluindo edema, varizes, entre outros. Também deve ser evitado por fumantes, pois potencializa o risco de doenças cardíacas.

De qualquer maneira, assim como qualquer medicação, deve ter seu uso indicado por um médico.

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A arte de amamentar e suas complicações

Nunca imaginei que amamentar fosse difícil, pois a campanha do ministério da saúde coloca que amamentar é tudo de bom. Infelizmente não é tão fácil assim, pelo menos pelo que tenho observado nas puérperas do alojamento conjunto.
A maior parte dos bebês precisa de muito estímulo para começar a mamar, principalmente aqueles nascidos de parto cesário. É uma coisa engraçada de se pensar, pois os bebês nascem com instinto, ou reflexo, de sugar. Algumas mães ficam altamente estressadas por não conseguir fazer com que o bebê mame, fazendo com que a produção de leite fique prejudicada. Para a mãe conseguir amamentar, ela precisa estar descansada e calma. A melhor posição para amamentar é sentada. Paciência e calma são os segredos para o sucesso na amamentação. Almofadas para amamentar também ajudam, pois posicionam o bebê de forma confortável sem deixar a mãe em uma postura ruim.
Após já ter dado tudo certo, mãe e bebê em casa após a alta hospitalar, os problemas continuam. A principal queixa é de fissura no mamilo, que dói muito. Para tratar a fissura, existem medicamentos tópicos que podem ser receitados pelo obstetra. Porém, deixar os mamilos úmidos com seu próprio leite já ajuda muito, pois ele é muito rico em substâncias que auxiliam na cicatrização.
Para não precisar passar por esse problema, a melhor dica é a prevenção. Se possível, durante a gestação, é muito bom fazer “topless” no sol da manhã ou do final da tarde, pois ajuda a pele do mamilo a ficar mais resistente.
Após o bebê nascer, é importante verificar se ele está mamando bem, se está com a pega correta. Na pega correta, quase não se vê o mamilo, pois ele está quase que totalmente dentro da boca do bebê. Ele não deve sugar só no bico, mas sim no mamilo inteiro. O palato (céu da boca) do bebê e sua língua formam um lugar confortável para o mamilo, não provocando dor, pois a língua é macia. Se estiver doendo, não está amamentando corretamente. Outro cuidado bastante importante é deixar o mamilo “mole”, fazendo massagens antes de oferecer ao bebê.
Outro problema bastante comum é o ingurgitamento (quando o leite empedra) mamário. Isso acontece quando a produção de leite é maior do que o bebê consegue mamar. Quando isso acontece, não se deve colocar compressas quentes ou deixar a água do chuveiro cair diretamente sobre as mamas, pois o calor estimula as glândulas mamárias a produzirem mais leite, piorando a situação. O ideal é colocar gelo dentro de uma compressa ou pano, e deixar sobre as mamas durante alguns minutos, cuidando para não queimar a pele. Isso deve ser feito diversas vezes por dia. O leite deve ser tirado cuidadosamente com auxílio da mão, primeiramente massageando as mamas e posteriormente colocando o dedo indicador sob o mamilo e o polegar sobre o mesmo, e pressionando para trás. Não é recomendado usar aparelhos manuais (bombinhas) para fazer a ordenha, pois é muito difícil os manter totalmente limpos, principalmente dentro da borracha. Isso sem mencionar que é extremamente doloroso.
Pode demorar um pouco para o leite começar a sair, portanto ainda é importante ter paciência e calma.
O leite pode ser retirado para aliviar o ingurgitamento ou para guardar para o bebê tomar mais tarde. Nesse caso, deve-se lavar bem as mãos antes de fazer a coleta e ter um recipiente fervido por 15 min apara guarda-lo. Ele deve ser armazenado na geladeira e tem que ser consumido em até 24hs. Para aquecê-lo, a melhor maneira é realizar banho-maria, até ficar em torno de 30 graus. Guardar o leite é a melhor opção para quando a mãe estiver ausente, pois com esses cuidados ele mantém as qualidades necessárias para o bom desenvolvimento do bebê.
Outro problema comum é a mastite. Ela acontece porque uma bactéria penetrou até o interior da mama, geralmente através da fissura mamária. Ela é muito dolorosa e precisa ser tratada com antibióticos, portando, o obstetra deve ser consultado.
O aleitamento materno oferece diversas vantagens para a mãe e o bebê. Ele fornece a quantidade perfeita de nutrientes e anticorpos da mãe para seu filho. Já a mãe, consegue retornar mais rápido ao seu peso antes da gestação, pois o leite materno é rico em gorduras. A amamentação também ajuda a prevenir o câncer de mama. Embora apareçam dificuldades, a melhor opção para a mãe e o bebê é amamentar. Surgindo dúvidas, deixe um comentário.
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